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Pandemia mostra um sistema cruel e desumano



A pandemia do coronavírus comprova que o sistema capitalista é extremamente cruel e desumano. Enquanto milhões passam fome, um grupo seleto aumenta as riquezas. No Brasil, quase 20 milhões de pessoas não têm nada para comer.

Quem circula pelas periferias das grandes cidades sabe. Muita gente vende o que resta em casa para dar comida à criança. Sem dinheiro para o gás, que tem o preço reajustado quase todos os meses, milhares recorrem a lenha para cozinhar.

Para o pós pandemia, as perspectivas não são boas. A tendência é de piora nas condições de vida, principalmente em países com governos ultraconservadores, como o Brasil atual. Enquanto algumas nações do mundo aprendem com a pandemia, que reestatizam empresas para conseguir passar pela crise econômica - mais de 800 estão voltando para as mãos do Estado -, outras querem entregar tudo. É o caso do Brasil.

Se depender do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente Jair Bolsonaro, o país vai vender todas as empresas públicas. Essa fórmula é uma bomba relógio que explode no colo de todos os brasileiros. O alerta foi dado pelo presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos, durante exposição na 23ª Conferência da Bahia e Sergipe, realizada neste sábado (31/07).

O país vive um processo acelerado de desindustrialização. Centenas de fábricas são fechadas. Na Bahia, tem o exemplo da Ford. Paralelamente, a privatização da Landulpho Alves, uma refinaria que produzia gases utilizados para as embarcações marítimas. "Assim ficamos mais refém dos preços internacionais do petróleo", destacou Augusto. Quer dizer, apesar de o Brasil ser autossuficiente, abriu mão do refino do petróleo, por isso hoje os preços dos combustíveis variam de acordo com o mercado internacional.

Reformas agravam o cenário As reformas trabalhista e da Previdência agravam o cenário nacional. As relações de trabalho pioraram consideravelmente. Ao invés de gerar os 2 milhões de empregos prometidos, uma das medidas mais nefastas da política ultraliberal, colaborou para o Brasil ultrapassar a marca de 14,8 milhões de desempregados. Na prática, os direitos foram destruídos com as mais de 100 mudanças na CLT.

Há bancos, como o Original e Inter, que contratam trabalhadores como PJ. Para esses profissionais não existem direitos. Tem mais. Essas empresas não têm compromisso para cumprir a CCT (Convenção Coletiva de Trabalho).

Mesmo diante de um cenário de retrocesso, os bancários conseguiram manter os direitos da CCT. Um fato que deve ser comemorado. Graças a atuação dos sindicatos, a categoria obteve vitórias importantes. Um exemplo recente é a inclusão no PNI (Plano Nacional de Imunização) contra a Covid-19. Neste caso, o trabalho feito pela Federação e pelo Sindicato dos Bancários da Bahia foi fundamental.

As entidades não pararam. Foram até Brasília, tiveram reuniões com o Ministério Público do Trabalho, o Ministério Público Federal, Ministério da Economia, Ministério da Saúde, com parlamentares no Congresso Nacional. Paralelamente, se encontraram com secretários dos municípios e do Estado, para cobrar a vacinação dos trabalhadores. Mesmo que tardia, é uma conquista importante, porque boa parte da categoria tem menos de 35 anos e ainda não havia tomado a primeira dose da vacina.

Por fim, Augusto Vasconcelos, que é vereador de Salvador, lembrou que o presidente enfrenta o pior momento e destacou a importância de os trabalhadores serem Fora Bolsonaro. "Esse governo é inimigo de classe e o presidente constrói um enredo para tentar um golpe. Precisamos estar unidos para defender a democracia brasileira", disse.

Ressaltou ainda a importância do voto nas eleições. "Precisamos disputar a luta de ideias. Para isso, temos de ocupar espaço no Parlamento. Lamentavelmente, quando a gente olha para o Congresso Nacional vemos poucos representantes dos trabalhadores. Em Salvador, nosso mandato cumpre esse papel. Fazemos um mandato atuante na luta de ideias, disputando cada um dos projetos debatidos na Câmara, com centenas de propostas apresentadas em 8 meses, revelando que os trabalhadores podem ocupar os espaços de decisão", concluiu.

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