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Investigação interna da Caixa aponta indícios de atos de assédio sexual e moral cometidos por Pedro





Depois de mais de três meses de trabalho, a Corregedoria da Caixa Econômica Federal concluiu que existem vários indícios de assédio moral e sexual praticados por Pedro Guimarães quando era presidente do banco.

A primeira investigação interna da Caixa sobre as denúncias que vieram à público no fim de junho e levaram à demissão de Guimarães reuniu mais de 50 depoimentos de vítimas e testemunhas e levantou provas para confirmar e ampliar as informações apresentadas pelas funcionárias.

Foram verificadas as viagens e reservas de hotel, fotos e datas de jantares e reuniões. O documento foi apresentado na semana passada ao Conselho de Administração do banco. Procurada pela reportagem, a defesa de Guimarães afirmou que ele "repudia veementemente" o modo como a corregedoria conduziu as investigações. O ex-presidente do banco alega que faltou isenção na formulação de perguntas (veja nota da defesa no fim da reportagem). A Caixa afirmou que não tolera nenhum tipo de desvio de conduta de seus funcionários e que não cabe à instituição "se manifestar sobre processo de investigação sigiloso encaminhado às autoridades competentes" (veja mais abaixo a nota do banco). Mais de dez funcionários da Corregedoria da Caixa trabalharam nesse período para preparar o relatório de cerca de 500 páginas sobre as denúncias contra Guimarães.de assédio sexual e moral. Segundo o relatório, a primeira denúncia chegou em maio deste ano. E depois que a imprensa começou a publicar relatos de assédio sexual, mais pessoas procuraram a Corregedoria para denunciar Guimarães. Guimarães pediu demissão da presidência da Caixa em junho, depois de uma série de denúncias contra ele de assédio sexual e moral. Depois, dele, cinco vice-presidentes já foram substituídos. O Ministério Público do Trabalho já ajuizou uma ação civil pública pedindo indenizações milionárias à Caixa e ao ex-presidente. O Ministério Público Federal também investiga as denúncias e compartilhou informações com a Caixa. Relatório No relatório, a Corregedoria cita que a "divulgação dos casos pela mídia nacional abalou gravemente a imagem institucional da caixa perante a sociedade brasileira, sendo essa a primeira denúncia de conduta sexual inadequada contra o dirigente máximo da instituição em seus 161 anos de história." E afirma que "dos fatos relatados pelos entrevistados e depoentes, corroborados pelos demais elementos de prova, é possível afirmar que há indícios de práticas irregulares de índole sexual. E ao que tudo aponta, teriam sido praticadas de forma reiterada e se utilizando das mais variadas formas de expressão (física, gestual ou verbal) e valendo-se, inclusive, e em especial, da condição de presidente da empresa". Viagens A corregedoria também observou que os atos de assédio do ex-presidente eram constantes e se intensificavam durante as viagens do programa Caixa Mais Brasil -- que geralmente eram feitas em finais de semana -- e integralmente bancadas pelo banco. Segundo a corregedoria, o programa foi utilizado de maneira irregular, o que pode revelar desvio de finalidade. Ainda segundo a investigação, nessas viagens, Guimarães demonstrava uma aparente proximidade e oferecia oportunidades profissionais, como uma nova função com salário maior. Nesse momento, começavam as investidas de caráter sexual. Quando davam errado, segundo a corregedoria, um núcleo de pessoas ajudava a blindá-lo de eventual exposição e até monitorava as vítimas, que ainda podiam ser retaliadas. Testemunhas De acordo com as testemunhas, Guimarães buscava toques na cintura, beliscões e apalpadas em partes íntimas do corpo, como seios e nádegas, nunca autorizados, além de falas de conteúdo sexual. Elas também relataram situações constrangedoras, como convites para banhos de mar à noite ou piscina, e pedidos de Guimarães para ir à sauna ou ao quarto de hotel dele para levar objetos pessoais e até fazer massagem com pomada anti-inflamatória. Também há relatos de reuniões que fugiam totalmente do escopo do trabalho. Quanto às denúncias de assédio moral, a corregedoria da Caixa afirma que constatou, em ações frequentes de Guimarães, práticas de abuso do poder hierárquico e diretivo, por meio de condutas verbais e não verbais, atitudes constrangedoras, comportamentos agressivos, tratamento ríspido, submissão de empregados a práticas de humilhação e vexame, exposição e ridicularização. 'Cultura do medo' A corregedoria conclui que Pedro Guimarães desrespeitou vários normas internas da Caixa , em especial o código de conduta, e que os relatos expõem a instauração de uma gestão pautada na cultura de medo, comunicação violenta, insegurança, manipulação, intransigência e permissão ao assédio. "Revela-se também um constante estado de atenção às exigências e caprichos pessoais, bem como que o tratamento ao dirigente fosse equiparado ao de um chefe de Estado, o que potencializava as despesas suportadas pela empresa", afirma o relatório. As conclusões da corregedoria foram compartilhadas com o Ministério Público e também com a Controladoria-Geral da União e com a Comissão de Ética Pública da Presidência da República. O que diz a defesa Veja a íntegra da nota da defesa de Pedro Guimarães: Inicialmente é preciso registrar o vazamento criminoso de documentos sigilosos, na véspera da eleição presidencial. Em segundo lugar, Pedro Guimarães repudia veementemente a forma com que os trabalhos de investigação foram conduzidos pela Corregedoria da Caixa Econômica Federal. Durante as apurações, a Defesa de Pedro Guimarães chegou a questionar a evidente parcialidade da comissão interna, registrando a falta de isenção na formulação de perguntas e na solicitação de documentos, que tinham por objetivo corroborar conclusões já existentes, ao invés de apurar a verdade dos fatos. Assim, as conclusões da Corregedoria da Caixa Econômica Federal, alcançadas em procedimento no qual foram desrespeitados os mais básicos princípios de isonomia e isenção por parte dos integrantes da comissão, pouco contribuem para o esclarecimento das apurações. Pedro Guimarães confia plenamente na Justiça e no Ministério Público Federal, e segue colaborando ativamente com a investigação conduzida pelos órgãos competentes. O que diz a Caixa Veja a íntegra da manifestação da Caixa: A presidência da Caixa informa que não tolera nenhum tipo de desvio de conduta por parte dos seus dirigentes ou empregados e comunica que fortaleceu a governança do banco para investigar denúncias, proteger denunciantes e empregados do banco, bem como a própria Instituição. Além do relatório da Corregedoria, setor que passou a ser vinculado diretamente ao Conselho de Administração do banco, foi contratada auditoria externa e constituído um comitê independente para a investigação de todas as denúncias. Em complemento, o canal de denúncias, operado com garantia de sigilo, foi reforçado com profissionais especializados no acolhimento. Por fim, não cabe à Caixa se manifestar sobre processo de investigação sigiloso encaminhado às autoridades competentes. G1

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