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Privatização do Banco digital compromete a rentabilidade da Caixa



A passos largos, o governo federal e a direção da Caixa preparam a venda do banco digital. A nova subsidiária, que ainda depende da autorização do Banco Central para sair do papel, é resultado do trabalho e expertise dos empregados, mas será entregue rapidamente ao capital privado. A Fenae tem alertado para a gravidade do processo. A transferência das principais atividades da Caixa para o banco digital poderá tirar a rentabilidade do banco público e com a abertura de capital, ela será dividida com o mercado privado.

A mais recente proposta é a criação de um marketplace – um espaço online para lojistas venderem seus produtos -, turbinando o aplicativo Caixa TEM – plataforma totalmente desenvolvida pela Caixa e que pretende-se transferir para o banco digital. A gestão do seguro obrigatório para acidentes de trânsito (DPVAT) também é uma proposta para agregar valor ao aplicativo. Na Caixa, as vítimas que precisarem receber o seguro deverão ter uma conta digital no Caixa TEM, criada automaticamente pelo banco público e de forma gratuita. A inclusão desses dois itens no Caixa TEM, segundo o presidente do banco, Pedro Guimarães, irá gerar um grande potencial de mercado para a subsidiária digital que está sendo criada.

O presidente da Fenae, Sergio Takemoto, destacou que o movimento sindical e as entidades representativas não são contra a criação do banco digital, mas não concordam com a entrega desse patrimônio para o mercado privado. “Somos a favor desse investimento que a Caixa fez para a criação do aplicativo e do uso da expertise dos empregados para o avanço do banco. Porém, o que sempre questionamos é o motivo para essa privatização. Se o banco é lucrativo, como o presidente da Caixa vem dizendo em diversas entrevistas, se é vantajoso, qual o motivo da privatização?”, questionou. Ainda segundo Takemoto, a intenção principal da gestão da Caixa é fatiar o banco dos brasileiros, vendendo sua inteligência e suas áreas lucrativas.

Diferente dos bancos digitais que o mercado tem apresentado, o banco digital não será apenas uma plataforma de serviços. Com um novo CNPJ, a Caixa pretende criar um banco, uma estrutura financeira completa, como subsidiária, deixando a empresa-mãe, vazia. “Grandes bancos do sistema financeiro nacional criaram as suas plataformas digitais com o intuito de atrair um público mais jovens, de classe média, principalmente concentrados em grandes centros urbanos, mas que estavam fora do sistema tradicional”, avaliou o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) na Fenae, Sérgio Lisboa.

O banco digital já nasceria lucrativo, com uma base de clientes de fazer inveja a muitas fintechs e bancos. Mais de 105 milhões de contas foram criadas no aplicativo Caixa TEM e todos os benefícios sociais da Caixa serão transferidos para o banco digital. Além disso, por meio do aplicativo serão ofertados microcréditos e crédito imobiliário para famílias de baixa renda. A proposta está sendo categorizada como uma cisão para aqueles que defendem a Caixa pública. A transferência das principais atividades do banco para a sua subsidiária recém criada, esvazia totalmente as funções da Caixa e diminuirá drasticamente suas receitas.

Quem também vem alertando para o perigo da privatização do banco digital é a representante dos empregados no CA/Caixa, Rita Serrano. Para ela, é uma cisão está acontecendo, transferindo as operações principais do banco para uma subsidiária que já nasceu com o objetivo de ser feito o IPO.

“Tudo indica que se optou por um modelo onde ao invés de privatizar a Caixa como instituição, se privatiza o banco a partir de suas operações. Então, você cria várias subsidiárias e vai privatizando a Caixa partir delas. Na minha opinião esse projeto é o pior de todos, uma vez que foi feito investimento público na construção dos aplicativos, compra de equipamentos e agora todo esse patrimônio que a Caixa conquistou será passado para outro CNPJ e vão privatizar parte ou o todo dessas operações”, explicou a conselheira.

Rita destacou que a privatização da Caixa seria inviável, uma vez que há necessidade da autorização do Congresso Nacional. Além disso, a população já demonstrou apoio contra a privatização da Caixa, principalmente após o trabalho feito durante pagamento do auxílio emergencial.

Em uma pesquisa realizada pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), a Caixa se destacou como a segunda instituição financeira do País mais lembrada pelos brasileiros, por doações e ações solidárias, depois do Itaú. Outro levantamento realizado pela Revista Exame, em parceria com o Instituto Ideia de pesquisa, feito junto à opinião pública, mostrou que 49% dos entrevistados deixaram claro que discordam da venda da instituição.

Criação do banco A ideia do banco digital é antiga na Caixa. Desde 2015, o assunto já estava em debate dentro do banco. Porém, com uma proposta de atuação mais próxima do que acontece com as fintechs atuais, algo como uma plataforma digital de comercialização de produtos.

O Conselho de Administração já aprovou a proposta de criação do banco digital e o único voto contrário a essa medida foi o da representante dos empregados, Rita Serrano. A intenção da direção da Caixa é que as próximas etapas sejam aprovadas rapidamente. O Banco Central está analisando a criação do banco digital. Após essa fase, o tema deve voltar à apreciação da diretoria e dos conselhos da instituição, para análises técnicas complementares. A partir disso, o rito envolve aprovação no âmbito da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST).

Fonte: Fenae

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